parecia uma santa branco leve
com cara azul de encantar poetas
mas se lhe soprasse o vento suão ao norte
nascia-lhe túnica ousada em carne viva
com músculos de encostar às paredes
e gracejos de pura ingestão
trazia um desfalque de folículos
por onde espreitava uma fuga festiva
progresso nas mãos encharcadas de engodo
quase fungo lascivo ao fundo dos olhos
e contramuro era de espalmar as costas
entre batidas e retiradas
armada suculenta
tudo a prumo a esbanjar no espaço
era toda mundo de ricochetes
até às asas de fogo circundantes do ar
a espessar o quadrante lotado
no fim implodia no grito
e voltava sempre à san(t)idade
03-04-2025